Sempre Miúda: Fevereiro 2016 louboutins saor

Sempre Miúda

29 de fevereiro de 2016

Desafio que peguei dali #2

Peguei do Blog da ChocoPink, a  Tag  " A Irmandade das Blogueiras", que consiste em responder a dez perguntas colocadas pelas meninas, criar novas perguntas e indicar 10 bloggers para responder.  

As perguntas que a ChocoPink colocou foram:
1. O que mais te irrita numa pessoa? O cinismo e a falsidade, detesto gente mentirosa e cheia de moral. 2. Qual é o teu maior defeito? Preocupar-me acima do q.b. com pessoas que não merecem. 3. Qual é a tua maior qualidade? Ser amiga (é o que todos dizem) :p 4. Qual é o teu sonho? Ter uma família completa... Sucesso Profissional... e Saúdinha :) 5. Não sais de casa sem...? ...Sem o telemóvel. 6.  A tua marca preferida de maquilhagem? Não sou de muitas maquilhagens, apenas lápis dos olhos, rímel e muito raramente batom, quanto a marcas vou experimentando quando preciso. 7. Preferes baton ou gloss? Baton. 8. Preferes blush ou bronzer? É raro usar um ou outro. 9. Qual é a tua cor preferida? Preto e Rosa. 10. O que mais valorizas numa pessoa? A sinceridade.
As Minhas Perguntas:   (coisas simples apenas :p)
1. Sentimento que te descreve neste momento é...? 2. A música do momento para ti é...? 3. Uma estação do ano...? 4. Comida preferida é...? 5. Um doce...? 6. Com que tipo de pessoas te identificas mais? 7. Sair-te o Euromilhões para ti era...? 8. Um filme...?  9. Como e porque te iniciaste na Blogosfera? 10. O que achas do Blog da Miúda?
Nomeio toda a gente que estiver a ler e quiser responder :) Beijinhos da Miúda* Desabafos da Miúda à(s) 16:54 3 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

Gente Famosa #10

Leonardo Dicaprio
(não lhe acho muita piada, mas ganhou um Óscar e até foi merecido, Parabéns a ele.)







***************
Brie Larson (melhor actriz, parabéns também para ela)






Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 12:04 6 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

Neste dia...#60


29 de Fevereiro

Estão de Parabéns:

Faleceram:
(Informações daqui...)
Imagem do dia (Daqui)

A Harmonia entre Religião e Ciência  (1735),   afresco  de  Paul Troger  no tecto do Salão de Mármore da  abadia  beneditina  de  Seitenstetten , Baixa Áustria.
Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 11:16 Nenhum comentário: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

28 de fevereiro de 2016

Neste dia...#59

28 de Fevereiro


Estão de Parabéns:  (ou estariam)
(Informações daqui...)
(Post agendado) Beijinhos da Miúda* Desabafos da Miúda à(s) 08:00 Um comentário: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

27 de fevereiro de 2016

Gente Famosa #9

Lucas Lucco
(há quem não goste, mas eu acho-o tao lindo *.*)






***************
Bruna Marquezine  (lembro-me dela a fazer novelas, muito pequenina, tornou-se uma menina bonita)





Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 13:58 5 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

Neste dia...#58

27 de Fevereiro


Estão de Parabéns: (ou estariam)
(Informações daqui...)
Imagem do dia (Daqui)

Palácio de Massandra perto de  Ialta ,  Crimeia.
Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 12:34 2 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

26 de fevereiro de 2016

Spornosexual #8 em alteração para...


... #Gente Famosa  assim os/as que forem aqui colocados/as  não têm de ser propriamente bonitos/as, apenas porque sim :)

José Fidalgo  (um português bonito sem dúvida)





***************
Daniela Ruah (linda)





Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 14:11 5 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

Neste dia...#57

26 de Fevereiro


Estão de Parabéns: (ou estariam)
Faleceram: (Informações daqui...)
Imagem do dia (Daqui)

Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 13:38 Um comentário: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

25 de fevereiro de 2016

Spornosexual #7


Gerard Piqué
(não é que lhe ache muita graça, mas é para fazer casalinho com a versão feminina abaixo :p)






****************
Shakira




****************
Acho-os um casal bonito...

...e com os pequenos então *.*


Família Feliz ... 

... e divertida ... ahah
Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 15:15 7 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

Neste dia...#56

25 de Fevereiro


Estão de Parabéns: (ou estariam)

Faleceram:
(Informações daqui...)
Imagem do dia (Daqui)

Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 13:57 Nenhum comentário: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest

24 de fevereiro de 2016

Desafio que peguei dali...


Vou utilizar um desafio que vi no Blogue da Akira - Viver Num T0 
E aproveitar para contar um pouco mais de mim...

As regras são muito simples:

Vamos lá completar as Frases:


1. Sou muito … Negativa   (em algumas coisas... e coisas do passado não esqueço facilmente)(a tentar melhorar)


2. Não suporto … Mentiras
3. Eu nunca … Apanhei uma bebedeira  (será que ainda pode vir a acontecer?)


4. Eu já briguei …  Por uma amiga que afinal não era amiga


5. Quando criança … Tinha o cabelo aos caracóis  (agora é apenas rebelde)

6. Neste exacto momento … Estou a escrever este Post :)


7. Eu morro de medo … Da morte das pessoas que mais amo  (Não da minha)


8. Eu sempre gostei … De escrever e ouvir música


9. Fico feliz … Quando os que me rodeiam estão felizes 


10. Se eu pudesse … Teria sido eu a ter cancro no lugar do meu irmão  (é parvoíce eu sei, mas tantas vezes em angustia, pedi para lhe tirar o sofrimento e passar para mim)


11. Se eu pudesse voltar no tempo … Era pequenina outra vez


13. Adoro  … Chocolates 


13. Quero muito viajar … Até Nova Iorque ou Miami  (espero que possa ser ... um dia destes)
Nova Iorque
Miami


14. Eu preciso … Descansar 


15. Não gosto de ver … Maus tratos em animais e em crianças  (fico possuída)



P.S. - Quem fizer que diga para também a Miúda vos ficar a conhecer melhor...

Beijinhos da Miúda*
Desabafos da Miúda à(s) 12:44 8 comentários: Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial Assinar: Postagens (Atom)

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NÃO SOMOS APENAS ROSTINHOS BONITOS

terça-feira, outubro 10

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segunda-feira, março 20

Rostinhos Bonitos amou!


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terça-feira, dezembro 27

SAIA DO LUGAR COMUM - BELICHES ENCANTADORAMENTE CRIATIVAS

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Bolos da Monster High

TODOS OS BOLOS FORAM VISTOS AQUI Monster High cake OMG my Shay-Shay will LOVE / WANT this Cake: Monster High Cake: Bolo: Loja Santo Antonio: 10 idéias para fazer Bolo em Pasta Americana da Monster…: Monster High Cake - Caketutes Cake Designer: Bolo Monster High: Maçã de Chocolate Monster High: Um comentário: Hiperligações para esta mensagem Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Marcadores: Bolos da Monster High

sexta-feira, dezembro 23

Rostinhos Bonitos amou!


DAQUI Resultado de imagem para star wars princess leia toy Nenhum comentário: Hiperligações para esta mensagem Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Marcadores: presentes de Natal

Quartos incríveis para jovens e adolescentes

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sábado, março 5

Rostinhos Bonitos amou!





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domingo, fevereiro 28

Rostinhos Bonitos amou!

adesivos de Emojis daqui Refrigerador Mondrian daqui Mesa de sinuca daqui Nenhum comentário: Hiperligações para esta mensagem Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Marcadores: Adesivos de emojis

Rostinhos Bonitos amou!

Tenda para você acampar na sua própria cama daqui Carregador de celular movido a energia solar daqui Guarda-chuva do Star Wars daqui Tabuleiro de Xadrez vertical daqui Nenhum comentário: Hiperligações para esta mensagem Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Marcadores: Tenda para você acampar na sua própria cama

Sigmund Schlomo (Nathanson) Freud – um judeu sem Deus

                           
                            Tânia Nigri *
Sigmund Freud nasceu Sigismund Schlomo Freud [1] em 1856, em Freiberg, na Morávia, à época parte do Império Austro-Húngaro. Sigismund era um nome germânico, cuja raíz Sieg , significa vitória e Schlomo –Salomão, nome hebraico escolhido em homenagem ao seu avô recém-morto – um costume tipicamente judaico/ashkenazi [2] - esses dois nomes traduzem o grande paradoxo entre a vida judaica tradicionalista e a emancipação dos judeus em meados do século XIX – refletindo, também, o contexto histórico e cultural vividos pela família de Freud, por ocasião de seu nascimento.                  Ele era o primeiro filho de Amalie Nathanson e Jacob Freud, que já havia se casado duas vezes [3] , tendo dois filhos do primeiro matrimônio: Emmanuel e Philippe. Da relação com sua terceira esposa, Amalie, Jacob teve mais oito filhos: Freud, Julius, Anna, Débora, Marie, Adolfine, Pauline e Alexander.                  Os pais de Freud eram judeus, oriundos da Tismênica ( Tysmenitz ), pequena cidade na Galícia Oriental (hoje, parte da Ucrânia), em que a comunidade judaica era bastante numerosa, um verdadeiro Shtetl [4] , onde se praticava a tradição ortodoxa, se estudava o Talmude, a Cashrut [5] era ob servada, as festas judaicas celebradas e o iídiche [6] o principal meio de comunicação entre seus membros – o que os isolava fortemente das comunidades locais. Jacob, por ser mercador, realizava muitas viagens, o que o fez ter contato com um universo mais arejado culturalmente, o que se refletia dentro do universo familiar.                    Em 1848, ao assumir o poder na Áustria, o imperador da Austro-Hungria, Francisco José, que foi o soberano durante boa parte da vida de Freud, se deixando influenciar por grande parte dos ideais iluministas, passou a garantir plenos direitos aos judeus austríacos. Foi em meio a essas novas liberdades que nasceu Freud – inserido em uma família que se assimilava gradativamente, abandonando algumas tradições judaicas de outrora. Enquanto seus pais e avós falavam e escreviam em iídiche, Jacob fazia seus negócios em alemão, mantendo, entretanto, alguns ritos e celebrações de seu povo, que eram seguidos, mais como eventos culturais, do que religiosos.                    Mantinha-se claro o sentimento de pertencimento ao povo judeu, mas abandonava-se, dia após dia, muitos ritos da ortodoxia religiosa, mantendo-se apenas os mais tradicionais, como a circuncisão [7] , que acontece no oitavo dia de nascimento e representa o pacto perpétuo entre Deus e seu povo – Freud foi circuncidado  e a data foi  registrada na Bíblia da família, assim como o seu nascimento.                      Em outubro de 1859, Jacob e a família deixam Freiberg, instalando-se em Leipzig. Transcorrido um ano da primeira mudança e não tendo obtido êxito em sua situação econômica, a família transfere-se para Viena [8] , estabelecendo-se em Leopoldstrasse , uma espécie de gueto judaico superpovoado, onde famílias, por vezes, dividiam o mesmo apartamento [9] .                    Em Estudo autobiográfico de Freud, elaborado em 1925, Freud informa: “Nasci em 6 de maio de 1856 em Freiberg, na Morávia, um pequeno povoado do que hoje é a Tchecoslováquia. Meus pais eram judeus, e eu segui sendo-o”   –  anos depois  Freud declara que sempre foi um descrente e educado sem nenhuma religião, embora não sem respeito pelo que denominou padrões éticos da civilização humana [10] .                     A educação de Freud se deu de forma laica, mas seus pais lhe transmitiram o judaísmo de forma oral, contando-lhe passagens da Bíblia e as histórias do povo judeu. Paralelamente ao estudo convencional, ele estudou o Velho Testamento e teve algumas vagas noções de hebraico com o professor Samuel Hammershlag, de quem se tornou amigo. Esse conhecimento pode ser constatado pela familiaridade com que o pai da Psicanálise recitava passagens d o Antigo e do Novo Testamento, não obstante afirmasse estarem as Escrituras “cheias de contradições, revisões e falsificações” [11] .                      Amalie Freud conectava seus filhos aos costumes milenares da religião, não apenas falando iídiche [12] [13] com eles, mas através do preparo de pratos tipicamente judaicos nas festas religiosas, que foram  objeto de algumas referências nas cartas trocadas com Eduard Silberstein, ocasião em que Freud alude aos rituais gastronômicos, deixando claro que datas proeminentes como o Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico), Yom Kipur (dia do Perdão), Pessach (Páscoa Judaica) e Purim (Salvação dos judeus do ministro-chefe do Rei Persa) eram, de fato, comemoradas em sua casa.                 Em correspondência trocada com a namorada Martha, que se tornaria sua mulher, Freud assinala “Ainda que o modo de viver em que os antigos judeus se sentiam felizes já não proporcione proteção, algo do núcleo, da essência desse judaísmo cheio de sentido e de vontade de viver não estará ausente de nosso lar” – tal assertiva demonstra seu sentimento de pertencimento – ele jamais recusou o seu judaísmo, no qual via não apenas suas raízes, mas uma verdadeira fonte de energia psicológica [14] – quanto a Deus, entretanto, a firmava que Ele teria sido criado pelo homem, diferentemente da pregação de que foi Ele quem o criou a sua imagem e semelhança [15] .                 Freud demonstrava ser mais antirreligioso do que ateu, insistindo em afirmar que seu judaísmo nada tinha a ver com religião, sendo uma conexão meramente cultural. Em carta ao amigo, pastor protestante e psicanalista Oskar Pfister [16] , chegou a se afirmar um “judeu ateu” e um “herege incurável", asseverando ser a ciência, ela sim, uma verdadeira emancipação para o seu povo.                 Quando ainda era estudante, Freud chegou a afirmar: “Não pretendo me entregar [à ideia da existência de Deus]”, parecendo bastante firme e seguro em seu ateísmo. Ao conhecer Franz Brentano, um ex-padre que permanecera crente e lhe ministrava aulas de Filosofia na Universidade de Viena [17] , Freud escreveu a seu amigo Silberstein, em 1874: “Eu, o médico e empirista sem Deus, estou assistindo a dois cursos de filosofia (...). Um desses cursos- veja só!  - trata da existência de Deus, e o professor Brentano, que dá as aulas, é um homem esplêndido, erudito e filósofo, embora julgue necessário apoiar a etérea existência de Deus com  sua exposições [18] .             As preleções de Brentano sobre “a etérea existência de Deus” constituíram-se em enorme desafio intelectual a Freud, que chegou a questionar sua descrença, confessando-as para Silberstein [19] : Não escapei de sua influência – não sou capaz de refutar um simples argumento teísta dos que constituem o corolário de suas deliberações (...).Ele demonstra a existência de Deus de forma tão pouco tendenciosa e tão precisa quanto alguém que argumenta a respeito da vantagem da onda sobre a teoria da emissão. É desnecessário dizer que sou apenas um teísta por necessidade, e honesto o bastante para admitir minha impotência diante desse argumento; contudo, não tenho a intenção de me dar por vencido tão rápida e completamente. Durante os pr[óximos semestres, pretendo fazer um exame meticuloso de sua filosofia e, nesse ínterim, suspender o julgamento e a escolha entre o teísmo e o materialismo. Por enquanto, deixei de ser um materialista e ainda não sou um teísta” [20] .             Durante os inúmeros reveses de sua própria vida, Freud afirmava: “Não adianta discutir com o destino .” Max Schur, médico que o tratou durante os dolorosos anos de sua doença, afirmou que durante o tratamento Freud seguia “completamente isento de queixas e reclamações, sempre comovedoramente grato por qualquer alívio” que ele lhe pudesse proporcionar. Essa atitude era absolutamente coerente com as posições propaladas por ele acerca das religiões e de Deus – que não passavam de ilusões, representando tentativas ilusórias e até infantis de mitigar a angústia, frente ao destino e às dificuldades da vida.                                 Numa das cartas trocadas com o amigo protestante Oskar Pfister [21] , Freud provocou: Em termos terapêuticos, só posso invejá-lo quanto à      possibilidade de sublimação em direção à religião. Mas a beleza da religião certamente não pertence à psicanálise. É natural e pode permanecer assim que, na terapia, nossos caminhos se separem. Bem à parte, por que nenhum de todos estes devotos criou a psicanálise, por que foi necessário esperar por um judeu completamente ateu?        Pfister, por sua vez, responde a Freud:    Por fim a pergunta: por que não foi um devoto, mas um judeu                    ateu que descobriu a psicanálise. Ora, porque devoção ainda não    significa gênio de descobridor, e porque os devotos em boa parte           não foram dignos de produzir estes resultados. Aliás, o senhor    primeiramente não é judeu, o que lamento muito na minha admiração desmedida por Amós, Isaías, Jeremias, do poeta de Jó    e de Eclesiastes; e em segundo lugar o senhor não é ateu, pois      quem vive para a verdade vive em Deus, e quem luta pela libertação do amor, segundo 1 João 4.16, permanece em Deus.       Se o senhor se conscientizasse e experimentasse a sua inserção      em processos mais amplos, o que a meu ver é tão necessário       como a síntese das notas de uma sintonia beethoveniana para      formar a totalidade musical, eu gostaria de dizer também do      senhor: ‘jamais houve cristão melhor’.     Para Freud, a religião seria a defesa dos homens contra o desamparo, constituindo-se em verdadeira ilusão, vez que ela apresenta-se inapta, incapaz de proteger o homem da inexorabilidade e da impessoalidade das forças da natureza. A psicanálise, sua obra venerada, deveria se desembaraçar de tudo e de qualquer particularismo , seja este de ordem política, nacional, religiosa e étnica [22] para ser reconhecida como ciência.          As últimas duas décadas de vida foram especialmente sofridas para Sigmund Freud. As catástrofes por eles sofridas aliadas ao seu ateísmo geraram um Freud “cansado de viver” e ele parecia bastante consciente da sua falta de recursos espirituais para persistir em tempos de crise. Depois da morte da filha Sophie, assinalou: “Não sei o que mais há para se dizer. Trata-se de um evento tão paralisante, que não se consegue pensar em mais nada depois, quando não se é um crente”.                      Quando o nazismo abateu-se sobre a Alemanha e a Áustria, Freud se viu obrigado a emigrar com a família para a Inglaterra e, em meio a esse clima, ele se volta para a figura de Moisés - o líder que livra o povo judeu da opressão egípcia, lançando a ideia de que Moisés seria, em verdade, egípcio, logo, o monoteísmo dos hebreus seria uma forma de religião egípcia, o que foi mal recebido nos círculos judaicos e cristãos.                     O ateísmo de Freud é vastamente discutido e investigado, não apenas por historiadores e biógrafos, mas, sobretudo, em trabalhos psicanalíticos. Françoise Dolto, grande personagem do Freudismo, chegou a afirmar que “ Freud nada teria inventado” se tivesse ficado” fechado em sua religião judaica”: É porque Freud saiu do seio de sua religião, porque se sentia filho espiritual da Grécia humanista, porque tinha fobia de Roma, a católica (isto é, sentia inibição e angústia ao pensar em Roma),  que ele descobriu a psicanálise. Ele nunca teria realizado essa invenção se tivesse aceitado as respostas prontas, tanto da religião, quanto da ciência médica, para explicar o ser humano”. [23]          Muitos pensadores da psicanálise sustentam que circunstâncias pessoais da vida de Freud, ao longo de sua infância e adolescência, teriam lhe privado da sensação de proteção. Pouco antes de nascer e durante seus primeiros anos de vida, muitas mortes e perdas ocorreram em sua família -  seu avô paterno, seu tio e seu irmão Julius faleceram [24] , sua babá desapareceu abruptamente, ainda pequeno, mudou de cidade pois seu pai perdera o emprego, seu tio mais próximo foi preso por contrabando - esses acontecimentos teriam dissipado a credibilidade de Freud em pessoas que pudessem dar forma a uma representação de Deus que fosse crível - em suas próprias palavras, “não há nenhuma Providência” para prestar atenção nele. A consolidação final dessa descrença teria decorrido da adoção de métodos científicos para a construção da sua psicanálise, implicando em rejeitar tudo o que não fosse provado cientificamente, observando-se, entretanto, que Freud, ao longo de sua vida, esteve em constante transformação, o que somente não se observou em relação à questão religiosa, mantida rígida desde 1897 até seus derradeiros dias - ao contrário de sua teoria, o pensamento religioso não se alterou até o dia de sua morte.
Tânia Nigri faz Psicanálise no Centro de Estudos Psicanaliticos
                       Referências Bibliográficas :
BIRMAN, Joel. Discurso freudiano e tradição judaica in http://www.scielo.br
BREGUER , L. Freud: O lado Oculto do Visionário. Editora. Manole, São Paulo, 2000.
CATALDO-MARIA, Thiago Marcellus de S.; WINOGRAD, Monah. Freud e Brentano: Mais que um Flerte Filosófico. Psico , [S.l.], v. 44, n. 1, dez. 2012.
ERNST L. Freud, Heinrich Meng   (orgs.) -Cartas  entre Freud  &  Pfister (1909-1939) Um  diálogo  entre a psicanálise e a fé cristã, Editora Ultimato, V i ç o s a ,  1998. FREUD, S. – Conferência n1: Introdução à psicanálise (1916) – Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XV, Imago Editora Ltda, Rio de Janeiro, 2006. ____ A repressão (1915) - Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XIV, Imago Editora Ltda, Rio de Janeiro, 2006. ____ O inconsciente (1915) - Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XIV, Imago Editora Ltda, Rio de Janeiro, 2006. Fuks , B. Freud e a judeidade: a vocação do exílio, Jorge Zahar Ed, ,– Rio de Janeiro, 2000. JR., Armand M. Nicholi, Deus em Questão – CS Lewis e Freud debatem deus, amor, sexo e o sentido da vida, Editora Ultimato, Viçosa, 2005. LAPLANCHE, J. – PONTALIS, J.B. – Vocabulário da psicanálise, Ed. Martins Fontes, São Paulo 2008. RIZZUTO, Ana-Maria. Porque Freud rejeitou Deus. Uma interpretação psicodinâmica, Editora Loyola, São Paulo, 2002 ROUDINESCO,Elisabeth,e PLON, Michel. Dicionário de Psicanálise, tradução de Vera Ribeiro, Lucy Magalhães,Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro,1998.





[1] Depois de adulto , Freud aboliu o Schlomo e abreviou Sigismund para Sigmund. [2] Os judeus ashkenazim dão a seus filhos os nomes dos ascendentes falecidos, alguns por crerem no restabelecimento da alma e a maioria deles, por honra e recordação do morto. Os judeus sefaradim, por sua vez, costumam homenagear os avós vivos. [3] E m 1832 Jacob casou-se com Sally Kaner e com ela teve dois filhos, tendo ela falecido em 1852. Após a morte de sua esposa, Jacob teve um novo e breve casamento, sem filhos, tendo desposado, em 1855, Amalie, ano em que Jacob já era avô de John, filho de seu filho Emanuel -  Freud, portanto, nasceu já como tio. [4] S htetl eram as povoações/bairros de cidades com uma população predominantemente   judaica , principalmente na Europa oriental, antes da   Segunda Guerra Mundial . [5] Termo que se refere às   leis alimentares   do   judaísmo . [6] Língua ou dialeto do alemão falada pelos judeus ashkenazis,  a partir do   século X ,   na Europa central e oriental, se espalhando por outras regiões com a emigração de seus praticantes. [7] A circuncisão tem enorme simbolismo, representando o ingresso do recém-nascido na comunidade  judaica, sendo um forte sinal de pertencimento e identidade. [8] Viena, que se situava entre a Europa Oriental e Ocidental representava a fronteira de dois mundos e no caso judaico, de duas subculturas. De um lado, o   shtetl , a pobreza - mas também a tradição, a borbulhante emoção. Do outro lado, a erudição e a sofisticação. Para um judeu russo ou polonês mudar-se para Viena simbolizava uma ascensão social. Para usar uma imagem do próprio Freud: se Paris ou Londres eram o superego, o   shtetl   era o id e Viena o ego. [9] BREGER, L. Freud: o lado oculto do visionário. São Paulo: Manole, 2000. [10] In Carta à Sociedade Judaica Bnai Brit (1926). [11] Armand M. Nicholi, Jr. Deus em Questão – CS Lewis e Freud debatem deus, amor, sexo e o sentido da vida. [12] O Iídiche também é conhecido como mame loschen (língua materna). [13] Freud, quando criança, exprimiu muitas de suas alegrias nessa língua, colecionando, anos mais tarde, chistes judaicos, mencionados em “Os chistes e sua relação com o Inconsciente”, onde demonstra familiaridade com a ética judaica e o domínio do idioma - Como disse Max Kohn em “Freud e o Iídiche, o Pré Analítico”, Freud teria dito: "Meu inconsciente fala em iídiche [14] Fuks , Betty Bernardo. Freud e a judeidade: a vocação do exílio / Betty Bernardo Fuks – Rio de Janeiro:Jorge Zahar Ed, 2000. [15] Ao ser indagado por Max Graf, pai do "Pequeno Hans", sobre a possibilidade de batizar seu filho, educando-o como cristão, ante o recrudescimento do antissemitismo, Freud retrucou: “Se não deixar seu filho crescer como judeu, vai privá-lo dessas fontes de energia que não podem ser substituídas por nada. Ele terá que combater como um judeu, e o senhor deve desenvolver nele toda a energia de que precisará para esse combate.  Não o prive dessa vantagem”. [16]   Não obstante houvesse grandes diferenças religiosas entre ambos, eles se corresponderam por quase trinta anos, se tornando, com o tempo, amigo de grande parte dos “Freud”, especialmente de Anna que, num depoimento em 1962 informou que Pfister teria se aproximado de seu pai através de Jung, e as cartas trocadas por ambos tratavam de religião e psicanálise. Em 1927, Freud publica O Futuro de uma Ilusão , em que repele a religião, sob todas as suas formas e diluições e anuncia, em correspondência a Pfister que sua obra foi adiada ao máximo por temer que o amigo se sentisse constrangido com a publicação, ao que Pfister responde: "sua rejeição da religião não me traz nada de novo. Um adversário de grande capacidade intelectual é mais útil à religião que mil adeptos inúteis", escrevendo, ele mesmo, após um ano, "A Ilusão de um Futuro", uma espécie de réplica às idéias de Freud. [17] Freud inscreveu-se em suas aulas de Filosofia, não obstante elas não fossem obrigatórias para o curso de Medicina. [18]    No decorrer dessas aulas de Filosofia, Freud e seu amigo Paneth escreveram ao mestre, objetando algumas das suas idéias deístas, ao que Brentano os convidou a sua casa para maiores discussões, que impressionaram sobremaneira o pai da psicanálise, que mais uma vez escreveu a Silberstein qualificando seu professor de “um homem notável, ( um crente, um teólogo (!) e um darwinista, e um sujeito incrivelmente inteligente; na verdade, um gênio ), em muitos aspectos um ser humano ideal”. [19] RIZZUTO, Ana-Maria. Porque Freud rejeitou Deus. Uma interpretação psicodinâmica São Paulo, Editora Loyola, 2002 [20] Thiago Marcellus de S. Cataldo-Maria, Monah Winograd - Freud e Brentano: Mais que um Flerte Filosófico. [21] Ernst L. Freud, Heinrich Meng   (orgs.) -Cartas  entre Freud  &  Pfister (1909-1939) Um  diálogo  entre a psicanálise e a fé crista,V i ç o s a ,  M G : Ultimato,  1998 Cartas entre Freud e Pfister - Um diálogo entre a psicanálise e a fé cristã (1909/1939).pg.84/85.
[22] Discurso freudiano e tradição judaica – Joel Birman in http://www.scielo.br. [23] ROUDINESCO,Elisabeth,e PLON, Michel. Dicionário de Psicanálise, tradução de Vera Ribeiro, Lucy Magalhães. Rio de Janeiro:Jorge Zahar Ed., 1998. [24] A morte de seu irmão lhe marcou psiquicamente por toda vida. Nenhum comentário: Hiperligações para esta mensagem Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Marcadores: Sigmund Schlomo (Nathanson) Freud – um judeu sem Deus - Psicanálise - psicanalista

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